Porque a sua filha deve aprender programação | Happy Code

Porque a sua filha deve aprender programação

Abril 03, 2018

Na era digital e da programação, as mulheres estão a alcançar carreiras incríveis em todo o mundo. Dizemos às nossas filhas que é excelente destacarem-se em matemática, ciências e tecnologia para conquistarem grandes desafios, mas estamos realmente a incentivar o desenvolvimento dessas competências na vida delas?

Ultimamente, ouvimos falar cada vez mais sobre a importância das mulheres nos campos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), mas cientistas inspiradoras e figuras de tecnologia não são um novo conceito. Sempre existiram mulheres fortes, brilhantes e inspiradoras, desempenhado um papel vital no avanço científico, tecnológico e na inovação. Mas, mesmo assim, o número de raparigas com acesso a competências tecnológicas está em queda – e temos que mudar isso. O desequilíbrio de género no mundo é preocupante em todas as profissões, mas quando citamos o sector da tecnologia as estatísticas são ainda mais alarmantes. Apenas 26% dos empregos de tecnologia são ocupados por mulheres. É preciso preparar as raparigas para um futuro com mais igualdade!

Em 1990, 29% de todos os diplomas universitários de licenciatura em informática e ciência da informação foram para mulheres, de acordo com o Departamento de Trabalho dos EUA, e agora o número caiu para 18%. No futuro, aquelas que tiveram acesso à programação terão muitas oportunidades de uma carreira de sucesso. Haverá 1,4 milhão de novos empregos em ciência da computação em 2020, mas segundo os pesquisadores, apenas 3% serão preenchidos por mulheres. Especialistas dizem que esses números devem mudar, mas é necessário incentivar cada vez mais as mulheres a investirem nessas carreiras.

Histórico de desvalorização do trabalho feminino na tecnologia

Desde a Primeira Revolução Industrial, quando descobriram que era mais rentável contratar mulheres e crianças para trabalhar em fábricas de têxteis porque as suas mãos eram mis pequenas e se encaixavam mais facilmente na maquinaria, as mulheres trabalham mais, por mais horas e são pagas menos. Até à Revolução Industrial, o emprego, ou mesmo o conceito de “trabalho”, não existia e quando as populações se começaram a muda para as cidades, no século XIX, para assumir os empregos nas fábricas, tornou-se imperativo que as mulheres ajudassem a sustentar financeiramente as suas famílias e encontrassem emprego fora do lar.  Ao mesmo tempo, os chefes da fábrica perceberam a vantagem do custo de contratação de mulheres e crianças. Esta mudança libertou os rapazes da classe trabalhadora para frequentarem as escolas públicas, continuarem no ensino secundário, entrarem num emprego profissional e acumularem riqueza – tudo o que era acessível apenas para a nobreza ou a aristocracia.

À medida que o trabalho evoluiu até a revolução digital, um padrão permaneceu constante: novos tipos de trabalho – especialmente criativos, inovadores, científicos ou qualquer campo visto como emergente ou multifacetado – são segmentados como masculinos. Quando esses papéis se tornam padronizados, assistenciais e mais uniformes, como trabalho de fábrica, ensino, secretariado, trabalho administrativo e enfermagem, isso passa a ser assumido como algo a ser preenchido por mulheres.

Apesar de alguns progressos em áreas limitadas, as mulheres permaneceram firmemente enraizadas nessas carreiras. Mesmo no setor de tecnologia, as mulheres são mais frequentemente encontradas em posições de marketing, gestão de projetos ou recursos humanos, e com menores salários. Por definição, elas não são protagonistas em funções de decisões nas empresas e têm números muito baixos na liderança de empresas. Por exemplo, no Brasil apenas 5% das mulheres ocupam cargos de liderança.

Não há dúvida de que as mulheres mudaram a paisagem da força de trabalho nos últimos dois séculos, e cada vez mais mulheres trabalham em áreas anteriormente consideradas apenas para homens – empregos como médico, cientista, arquiteto, soldado, CEO e, até presidente. Mas, para uma maioria, o caminho habitual ainda é um trabalho mais difícil e ser mais esperta (e mais altamente educada) do que os homens parece ser um padrão exigido.

A nosso impressão coletiva é que as mulheres continuam a ser enquadradas através de uma lente limitada, de uma mulher tradicional e convencional. Na infância, enquanto os rapazes são, desde sempre, encorajados a interagir com brinquedos tecnológicos, as raparigas ainda são direcionadas para as bonecas. Desde muito novas, as meninas recebem mensagens subtis sobre o que deveriam gostar e quem elas deveriam ser, o que pode ser notado até nos corredores de uma loja de brinquedos. Brinquedos que desenvolvem habilidades científicas – como robots, conjuntos de construção e veículos automatizados – são feitos, principlamnete, em “cores masculinas” e, normalmente, são encontrados em corredores, obviamente, para meninos.  De acordo com o livro Unlocking the Clubhouse: Women in Computing (“Entrando no clube: mulheres na computação”, em tradução literal), da investigadora Jane Margolis, metade das famílias americanas em 2002 colocava o PC doméstico da casa no quarto do filho. É preciso que toda a sociedade se reestruture para incentivar o equilíbrio de gênero nas carreiras em tecnologia.

Benefícios da aprendizagem de competências tecnológicas

O mundo em que vivemos hoje continua a depender cada vez mais de competências digitais e as ofertas de trabalho em programação estão com uma grande procura. Agora que as carreiras do STEM são um grande foco no mercado, aprender a programar é essencial para qualquer padrão de uma carreira bem sucedida. Mas aprender essa nova competência não só ajuda a prepará-las para uma carreira brilhante na área da tecnologia, mas também auxilia numa série de lições de vida, que as ajudarão a ser mais bem sucedidas na vida.

Já foi comprovado que crianças e adolescentes que se interessam por tecnologia e aprendem a programar desenvolvem e melhoram habilidades como criatividade, raciocínio lógico, otimização, trabalho em equipa, tomada de decisões, aprendizagem de novas línguas e ainda melhoram as notas em disciplinas como matemática, história, inglês, entre outras.

A tecnologia empurra os limites do que pode ser feito e as pessoas por trás da inovação serão aquelas recompensadas por isso. Se as crianças não são criadas para serem experientes em tecnologia – e não é apenas usar a tecnologia do consumidor, mas aprender a usar as ferramentas e manipular a tecnologia para criar algo – então elas vão estar em grande desvantagem.

Com o conhecimento e aprendizagem de programação e robótica desde cedo, as raparigas vão desenvolver competências essenciais que serão o grande diferencial no futuro em qualquer área que elas escolham, seja em artes, medicina, engenharia, e na própria área de tecnologia. No futuro o mercado deve dar prioridade àqueles que sabem programar e essa será a nova linguagem.

Quem domina competências tecnológicas pode usar essas competências para transformar o mundo e melhorar a vida das pessoas. É possível utilizar a programação e as competências digitais adquiridas em diversos âmbitos da vida, mesmo que elas não sigam carreira nessa área. As raparigas podem criar a própria página na internet, aplicativos, jogos, animações para vídeos, criar um canal no Youtube, ou seja, há muitas possibilidades.

Além de que o mundo da tecnologia é incrível e encantador. Elas podem conquistar o seu espaço no mundo e serem reconhecidas pelas suas próprias criações. Isto, faz com que sejam seguras, aumenta-lhes a autoestima e ainda as instiga a criar cada vez mais. E entender tecnologia e as linguagens de programação não é um bicho de sete cabeças como muitos pensam. Na verdade, é muito fácil e elas podem aprender a brincar!

Todas as crianças são capazes de aprender linguagens de programação, discutir sobre inovação, desenvolver projetos que podem transformar e melhorar a sociedade. A tecnologia faz parte da nossa rotina e permite um mundo infinito de possibilidades, onde as meninas são parte fundamental.

Exemplo em ensino para raparigas

Reshma Saujani é CEO da Girls Who Code, uma organização que tem estado a mudar o cenário para a educação digital de raparigas nos Estados Unidos. O que se iniciou como uma experiência em Nova York com 20 raparigas, hoje já alcançou mais de 40 mil em todos os 50 estados nos EUA. São organizados cerca de 80 programas de imersão no verão e 1.000 clubes onde as raparigas aprendem a programar, desenvolver sites e criar aplicativos.

Saujani acredita que raparigas trabalham melhor de maneira colaborativa e podem encontrar soluções para problemas mundiais. Ainda cita que: “Há uma distinção importante entre rapazes e raparigas, e essa distinção é a razão pela qual se trata a mudança no mundo. Essas raparigas resolverão problemas em que nem sequer pensamos agora.”

 

A Happy Code é uma uma escola de tecnologia e programação para crianças e jovens a partir dos 6 anos. Ensinamos a literacia do futuro de uma forma divertida! A nossa missão é ensinar tecnologia e programação a todas as crianças. Para saberes mais, vê os nossos cursos e segue-nos:

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