Educação digital: a importância da formação de cidadãos digitais conscientes

É muito comum relacionarmos o termo ”Educação Digital” com aprender a bem manusear computadores, tablets e smartphones. É normal pensar que bem educado digitalmente, é aquele que sabe tirar proveito de todas as funcionalidades oferecidas por estes dispositivos. Aquele que sabe programar então, meu Deus, esse é educado mesmo a sério! Pode, literalmente, dar aula de educação digital!!

Mas, como se costuma dizer, #sqn  (só que não). Educação Digital envolve uma série de outras competências e conhecimentos que são independentes do facto de a pessoa ser muito boa com a tecnologia em si. Uma pessoa pode saber apenas ligar o smartphone, mandar e receber mensagens e ser muito bem educada digitalmente, basta utilizar este recurso de comunicação para, por exemplo, aprender coisas úteis, partilhar notícias relevantes e de fonte fiável, entre outras coisas boas que hoje em dia as novas tecnologias da informação e comunicação nos permitem fazer.

Por outro lado, aquele “tipo” que citámos acima pode dominar muito bem os recursos tecnológicos e usar as redes sociais para, por exemplo, espalhar mentiras, proferir ofensas, entre outras coisas más que as novas tecnologias da informação e comunicação nos permitem fazer.

Mas, o que é mesmo curioso, é ver como algumas pessoas tendem a separar a vida online da off-line, como se fossem mundos diferentes. Simplesmente esquecendo-se do facto que por detrás das telas há pessoas, assim como valores a serem observados e respeitados. Mas, como falar e (sentir) sobre valores neste vasto e tão dinâmico universo digital, onde a pessoa só se lembra das palavrinhas ética e bom-senso depois de clicar em POSTAR?

Para o psicoterapeuta e educador Leo Fraiman, “valores são um espécie de bússola interior que nos aproxima ou afasta das pessoas, experiências e atitudes, percebidas como positivas ou negativas, de acordo com o que é avaliado como importante para nós. É o valor do respeito que nos impede de insultar o outro, é o valor da educação que nos inspira a ser gratos por um favor ou atitude positiva. Quando os valores são ignorados, sofremos com as consequências[1]”.

Pois é justamente sobre este ponto, as consequências, que precisamos falar. A Internet, assim como todos os avanços oferecidos pelas novas tecnologias, abre infinitas portas mas, com a mesma magnitude e poder com que são abertas, podem ser fechadas, pela “mesma Internet” e pior, às vezes para sempre.

Muitas das pessoas que sofreram as consequências de uma atitude impensada na Internet não tiveram, sequer, a oportunidade de se defender ou até mesmo de desfrutar do bónus do arrependimento. Isto por que, enquanto que para o direito, o “eu não que sabia que era crime[2]”, “fui influenciado” podem ser, dependendo de cada situação, atenuantes de uma pena,  para a Internet, não. Perpetuidade e poder de rápida disseminação são algumas das características desta fantástica e por vezes “cruel” evolução.

Não é por acaso que a legislação sobre a Internet estabelece, como um dos princípios básicos da educação, o incentivo ao uso seguro, consciente e responsável da Internet em todos os níveis de ensino, como ferramenta para o exercício da cidadania, promoção da cultura e desenvolvimento tecnológico.

Assim, quando falamos em “Educação Digital”, estamos-nos a referir a uma boa orientação no uso das novas tecnologias, recursos e ferramentas tecnológicas. A vida na sociedade da informação requer preparação, se o que se procura é o melhor aproveitamento de tudo que nos é oferecido, livre dos riscos e prejuízos, que o seu mau uso pode acarretar.

E então, para finalizar, diga-nos: na sua opinião, usa a Internet consciente aquele que:

  • Diz (posta) tudo que pensa, doa a quem doer?
  • Expõe toda a sua vida pessoal e profissional?
  • Faz check-in a todos os lugares que frequenta?
  • Faz like e partilha posts polémicos e mais, sem conhecer sua procedência e veracidade dos fatos relatados?

Afinal, aprender a manusear os aparatos tecnológicos é fácil, o desafio é saber o que fazer com as suas funcionalidades e melhor, dar -lhes significativo sentido.

 

[1] Abrusio, J; Vainzof, R. Educação Digital. São Paulo. Revista dos Tribunais. 2015

[2] Delegado pede prisão preventiva de bloguer por ofensas a bebé com Síndrome de Down
Disponível em: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/delegado-indicia-blogueira-por-ofensas-a-bebe-com-sindrome-de-down.ghtml

Adaptado de texto de Alessandra Borelli
Sobre a Happy Code

A Happy Code é uma escola de programação, tendo como missão formar pensadores e criadores do século XXI. Com uma metodologia de ensino baseada no conceito STEAM (“Science, Technology, Engineering, Arts and Math”), os cursos lecionados incidem sobre a programação de computadores, desenvolvimento de jogos e aplicações, robótica com drones, bem como produção e edição de vídeos para o YouTube.

Tendo como premissa de atuação os valores da responsabilidade, da confiança, da inovação e da consciência social, a Happy Code leciona os seus cursos em centros próprios ou em escolas, empresas, municípios, projetos sociais, centros de estudo, ATLs, entre outros, estando já presente em várias zonas de Portugal.

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