O papel das escolas na educação digital

O papel das escolas na educação digital

Quando se fala sobre qual é o papel das escolas na educação digital, é impossível não se debater um dos grandes temas dos nossos dias, a inclusão digital. Se as empresas têm investido valores avultados em equipamentos electrónicos e software, as instituições de ensino não ficam atrás, criando salas cada vez mais tecnológicas e usando tablets e outros dispositivos móveis para promover conteúdos digitais que ajudem na aprendizagem.

O futuro começa hoje

A verdade é que não se pode fingir que as mudanças não estão a acontecer. A tecnologia já causa muito impacto, incluindo em algumas profissões. É o caso dos advogados que terão de se adaptar à nova realidade da inteligência artificial. Alguns escritórios de advogados no Brasil já estão a automatizar parte do trabalho e a incluir software para optimizar o trabalho de pesquisa (Notícia revista Veja Brasil). Segundo um estudo da Thomson, 40% dos escritórios de advogados entrevistados no Brasil estão à procura de uma automação (Notícia Exame Brasil). Os alunos de direito estão a precisar de aprender “programação” (Notícia em vídeo GloboPlay) e o aparecimento de startups (legaltechs) que prometem ao sistema jurídico mais eficiência e rapidez revelam essa nova realidade.

Mas, será que as instituições de ensino estão realmente preparadas para essas mudanças?

Muitas escolas têm tentado incluir na sua proposta pedagógica o que há de mais actual e moderno, para se adequarem à nova realidade tecnológica e ao que o mercado de trabalho já tem exigido dos nossos jovens. A inserção de aulas de programação (coding) em horário curricular, ou como curso extracurricular, reflecte essa mudança, da qual faz parte a Happy Code.

No entanto, é importante ressaltar que a inclusão digital deve, necessariamente, estar alinhada com a educação digital.

O que significa educação e inclusão digital?

Para além do aparato tecnológico, a escola deve transmitir aos seus alunos (e, porque não, também aos pais e a todos os colaboradores da instituição de ensino) informações acerca do uso seguro, ético e responsável da internet e alertá-los, ainda, sobre os riscos e perigos a que estão expostos no mundo online. Implica formar cidadãos preparados com as competências e conhecimentos necessários para a utilização das ferramentas tecnológicas, para que possam tirar o melhor partido do que a tecnologia tem de bom a oferecer, minimizando os riscos que o mau uso pode causar.

Assim, cabe às instituições de ensino apoiar a inclusão digital das nossas crianças e adolescentes, preparando-os para o futuro que, apesar de incerto, já chegou. Mas também o dever de promover momentos de discussão e reflexão sobre temas relacionados com o universo digital. Quais os limites da manifestação do pensamento? Quais as consequências da demasiada exposição da intimidade e privacidade na web? Como lidar com a sobreexposição nos meios digitais e quais as suas implicações? O que é o bullying e cyber-bullying e quais as suas consequências? Qual a responsabilidade dos pais e da escola em casos envolvendo ilícitos cibernéticos? Plágio? Direitos de autor? As temáticas são tantas…

Tais acções não só mitigarão os riscos de ocorrência de incidentes entre os alunos, mas também, capacitarão o corpo docente para a tomada de posições e consequente afastamento da responsabilização civil da instituição de ensino. Assim sendo, percebe-se a importância da educação digital no universo escolar, por abranger muito mais do que o simples uso da tecnologia, envolvendo a correcta utilização desta fantástica ferramenta, que é a internet. Pressupõe valores, ética e o fortalecimento do vínculo da escola junto das famílias. Prevenir e consciencializar é sempre melhor do que remediar.

Texto criado com base no artigo de Silvia Opice Blum Vidal e Helena Mendonça, Nethics – Educação Digital

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